2006-02-15 

O que pode ser pior do que partir um raio de uma jante? Adivinharam bem, partir o raio da jante traseira do lado do carreto. É uma carga de trabalhos. Para além da chatice de ter de desmontar a roda, tirar o pneu, etc, ainda se tem de tirar o carreto (ou a cassete) para o poder substituir.

A beleza da lei de Murphy é que está sempre certa. Se uma coisa pode correr mal, correrá. Exemplo: se um raio pode partir, partirá. 50% das hipóteses é que seja do lado mau da jante. O Murphy trata do resto de forma a que o raio se parta no lado errado. Mas como a máxima prevê que se uma coisa corre mal, outras também correrão, o raio parte-se de noite (com as lojas fechadas, portanto) e só no caso de não termos nem raios a mais nem ferramentas para o arranjar. O que o Murphy não previu foi o espírito de um português determinado em desenrascar-se. As dificuldades fazem nascer a obra de arte.

Assim sendo, depois de desmontada a roda e tirado o pneu, há que sacar a porcaria do carreto. Mas, para isso, é preciso a ferramenta para o travar. A ferramenta não há (como já tinha referido, se houvesse, o raio nunca chegaria a partir-se). Felizmente houve alguém, algures, que inventou o martelo!

Workshop: Como desenrascar um trava-carretos com um martelo.

Material necessário: Um martelo de orelhas, um bocado de corrente de bicicleta, um parafuso qualquer e uma porca de orelhas.

Começa-se por colocar a corrente à volta do carreto, num sítio qualquer, desde que sobre um bocadito para se poder puxar. Faz-se passar o parafuso por um dos espaços da corrente e atarracha-se a porca de orelhas (deixando um espacito).

Usando as orelhas do martelo (de orelhas), faz-se passar o parafuso por elas, de forma a que o parafuso fique entre elas, segurado pelo porca de orelhas (tantas orelhas). Dá-se um ligeiro aperto à porca para ajustar e fazer com que o parafuso fique preso ao martelo.

Sucesso! Um trava-carretos feito em casa que deixa o Murphy atónito. O que vale é que ele não é estúpido e sabe bem que eu não tenho raios para substituir (o que fez com que o raio se tenha partido, tal como já expliquei antes).


Depois de montado o trava-carretos, é só prender o martelo entre os raios (para não deixar o carreto andar) e usar uma chave-de-fendas com outro martelo (tantos martelos) para sacar a peça que trava o carreto.

Findo isto, quem é que pode dizer que os matelos não servem para tudo?

Claro que ainda me faltava sacar o carreto propriamente dito, e não era preciso desmontar as engrenagens para o tirar, mas graças a este trava-carreto artesanal, curti à mesma ter feito isto, já que pude limpar e olear (ah, olear, como eu gosto de olear) o carreto e as engrenagens.

Como também me faltava o raio para substituir, não custou muito esperar pela abertura da loja para concretizar o resto da operação.